O Grupo São Judas Tadeu continua a série especial “Despedida aos Olhos da Fé”, um projeto dedicado a levar conforto e compreensão através das diversas vozes religiosas da nossa comunidade. No quinto episódio desta jornada, exploramos os fundamentos da Umbanda para entender como essa religião espiritualista encara o momento da partida. Para guiar essa reflexão, recebemos Semi Salha, dirigente espiritual do Terreiro de Umbanda Caboclo Sete Ondas, de Videira, que compartilha uma mensagem de profundo amor e fraternidade.
O encerramento de um ciclo e o retorno ao mundo espiritual
Na visão umbandista, a vida é uma caminhada terrena com um propósito claro. Acreditamos que viemos do mundo espiritual para cumprir uma missão e, quando esse tempo se encerra, acontece o que chamamos de desencarne. Para a Umbanda, a morte não é um evento triste ou um fim definitivo, mas sim o fechamento de um ciclo e o retorno ao lar original.
Esse retorno é feito sob o amparo dos guias espirituais, que confortam a alma na jornada de volta ao grande pai criador, conhecido como Zambi ou Oxalá. É um momento de transição em que o espírito deixa a veste carnal para se reencontrar com sua verdadeira essência na espiritualidade.
O amparo em Aruanda e a importância das orações
Embora a ausência física de um ente querido traga saudade para a comunidade, existe o consolo de saber que a alma está sendo conduzida por entidades de luz. O destino final dessa viagem é Aruanda, um plano espiritual de paz e claridade, onde reside o sagrado dos Orixás.
Neste processo de despedida, os rituais possuem um papel fundamental. O entendimento é que o espírito necessita de vibrações e emanações positivas para seguir sua trajetória. Através de orações e pensamentos elevados, os familiares e amigos ajudam a alma a alcançar a luz o quanto antes, facilitando o desligamento do plano material e o encontro com Zambi.
A liberdade de escolha e a Carta Magna da Umbanda
Um ponto de grande relevância abordado por Semi Salha é a posição da religião sobre o sepultamento e a cremação. Historicamente, a cremação gerava discussões sobre o tempo de desligamento do espírito, mas a evolução do entendimento religioso trouxe novas perspectivas de acolhimento.
Com base na Carta Magna da Umbanda, documento que contou com a colaboração do mestre Marne, a religião reafirma seu compromisso com o amor e o respeito. A orientação atual é que o desejo da família ou a última vontade da pessoa sejam sempre respeitados. Seja pela escolha da cremação ou do sepultamento, a Umbanda se mostra fraterna e compreensiva, priorizando sempre o bem-estar dos que ficam e a paz de quem faz a passagem.
Uma casa de portas abertas para a caridade
A Umbanda se define como uma religião de fraternidade e respeito mútuo. Semi Salha reforça que o Terreiro Caboclo Sete Ondas busca acolher todos os que sentem o chamado para conhecer essa cultura ou desenvolver sua espiritualidade. O foco está sempre na verdade e no bem, tratando cada irmão com a dignidade que a vida e a memória merecem.