Perda gestacional: um luto que não deve ser ignorado

É comum falar pra alguém que perde um bebê durante a gestação: “Não fique triste, você pode engravidar novamente” e outras frases similares. Mas é importante avaliar que filho não se substitui. A dor dos pais é profunda quando isso acontece e as fases do luto na perda gestacional precisam ser respeitadas.

Na nossa cultura, ainda prevalece a crença de que se não falarmos em determinados problemas e conflitos, eles deixam de existir. Infelizmente, isso não é verdade e não se justifica.

Seja qual for a situação de “dor na alma”, o ideal é não ignorar. Ao falarmos das nossas emoções, trocarmos experiências e reflexões sobre nossos sentimentos, a dor deixa de ficar invisível. E desta forma ficamos mais perto da cura.

Perda gestacional: Conversando e recebendo amor, tudo fica mais fácil

Assim é com o luto que ocorre após o falecimento de quem amamos, quando há o fim de um relacionamento amoroso e, por que não quando ocorre a perda de um ser, fruto do amor entre um casal? Porque se trata de um luto não reconhecido como tal.

A própria mulher provavelmente é a que tende a sentir a dor maior quando perde um bebê ainda grávida. É natural. Já que esta vida estava no corpo dela e foi ela a sentir seus primeiros sinais. Portanto, é saudável que ela seja também a primeira a contar o que ocorreu, a enfrentar a dor da perda e a dizer aos outros como prefere que este assunto seja tratado.

A partir daí, o pai, o restante da família e os amigos mais próximos podem ajudar bastante a mulher a vivenciar o luto gestacional. Entender o que aconteceu e administrar emocionalmente as razões que contribuem neste processo.

E nada melhor do que contar com pessoas queridas ao redor e capazes de doar muito amor. Força para seguir em frente passa a ser uma consequência.

Recordando as fases do luto que precisam ser vividas até a superação       

Choque e negação

Esta é a primeira etapa quando da reação à notícia da perda. Trata-se de um choque com a sensação que aquilo não está acontecendo de verdade. A negação pode ou não vir acompanhada da vontade de falar muito sobre o fato ou simplesmente calar-se. É como se fosse uma proteção natural.

Inconformismo (raiva)

Depois vem uma espécie de raiva, contra tudo e contra todos. Às vezes, à medicina, a alguém da família, ao universo, a Deus, enfim à situação de perda de algo ou de alguém que se gosta demais.

Esta irritação, muitas vezes, acaba se canalizando para a própria pessoa. E pode aparecer uma sensação bem desconfortável de culpa. O alívio está em saber admitir a raiva para seguir rumo à próxima fase.

Negociação com a dor

Para uns demora mais, para outros, menos. Mas a etapa da conscientização e negociação com a dor e demais sentimentos relacionados à perda vem.     

Depressão e compartilhamento

O estado de tristeza também é pesado. Por isso, é tão importante compartilhar com alguém de confiança para torná-lo mais leve. Há casos mais graves em que o ideal é procurar ajuda de um psicólogo ou até mesmo de um psiquiatra.

Para a mãe que perde um bebê na gestação ou nos seus primeiros meses de vida, contar com um grupo de apoio pode ser um santo remédio.    

Aceitação e superação

Quando a perda e a dor profunda é aceita de forma a compreender que o que ocorreu está feito e não pode ser mudado, começa a superação. Aos poucos, a pessoa admite que não há culpados e se há, perdoa. Estas emoções passam a trazer paz e força para seguir em frente. Afinal, a vida continua!    

Não ignore a dor da perda gestacional. E compartilhe este conteúdo nas suas redes sociais porque certamente alguém vai se beneficiar dele.

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