A morte de pessoas jovens e a reconstrução da família

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O processo de reconstrução da família depois do falecimento de uma pessoa jovem é complexo. O luto e a dor que envolvem esses casos são muito profundos porque há uma ruptura no ciclo natural da vida. O que se espera, afinal, é que as pessoas mais velhas partam antes das mais jovens.

Pais, irmãos e até mesmo amigos, muitas vezes, encontram certo alívio em grupos de apoio. Enfrentar a morte dos familiares jovens fica um pouco mais leve quando as emoções e a saudade que estão à flor da pele são compartilhadas com quem já passou ou está passando por ocorrências similares.

Ao ter que vivenciar a morte precoce, os familiares das vítimas são impactados demais. As consequências da perda são tão severas que os profissionais da saúde que prestam suporte emocional chamam estas pessoas de “sobreviventes enlutados”.

Encontrando novos propósitos de vida

Na hora que chega a notícia da morte de pessoas jovens há quem fique sem esboçar reação alguma. O indivíduo, independentemente do grau de parentesco, pode ficar sem falar e nem ao menos chorar. É o chamado estado catatônico decorrente do choque inicial. Algumas pessoas relatam que tiveram a sensação de ter saído do próprio corpo.

Principalmente os pais podem passar anos tentando administrar a dor da perda de um filho. Para seguir em frente é necessário muita determinação e resiliência. Há vários caminhos além do apoio mútuo, já citado.

Uns encontram alívio em sessões de psicoterapia com psicólogo, tratamento psiquiátrico e/ou uso de medicamentos. Há quem se apóie na fé. E outros buscam coragem no voluntariado ou até mesmo fundando uma instituição de ajuda ao próximo.

O fato de conseguir um novo propósito na vida ajuda bastante. Ao acolher outras pessoas com necessidades distintas, evita-se inclusive, a depressão e a solidão que podem tomar conta dos familiares de crianças, adolescentes e jovens que morrem.

A vontade de ajudar outras pessoas também move as pessoas a criar outras formas de acolhimento e compartilhamento da tristeza. Existem, por exemplo, vários blogs na internet que abordam temas como prevenção e posvenção do suicídio.

Leituras constantes sobre os cuidados com as pessoas que vivenciam o luto após a morte de pessoas jovens têm ajudado muita gente. Porque além dos sentimentos pesados que afloram durante o processo, muitos pais ainda carregam a dor da culpa.

Aprende-se a conviver com a falta, sem traumas

Há pessoas que se sentem julgadas e precisam administrar seus próprios questionamentos como: Será que não cuidei direito do meu filho para que isso acontecesse? Dei amor suficiente enquanto ele estava vivo? Houve sinais que me passaram despercebidos?

Ao tentar encontrar as respostas para estas dúvidas, os enlutados buscam a superação e a aceitação. Por mais que o afastamento imposto seja cruel, as feridas tendem a ir cicatrizando gradativamente.

O espaço antes ocupado pela tristeza profunda vai dando lugar às lembranças dos bons momentos vividos juntos e à saudade. Os familiares vão encontrando forças que no início do luto se pensava ser impossível obter. A experiência vai se tornando mais leve e se aprende a conviver com a falta, sem traumas.

Reconstrução da família

A maneira como a família se reconstrói após a morte de uma pessoa jovem varia muito e depende do seu perfil. Os processos de luto são individuais. E a estrutura e o funcionamento de cada núcleo podem favorecer ou não a aceitação do fato.

Quando há um convívio afetuoso pautado pelo respeito mútuo e pelo diálogo, a jornada do luto pode ser facilitada. A busca é por um objetivo comum: a estabilidade emocional. A reação conjunta a um fato tão traumático promove a abreviação do tempo de cada etapa do luto.

Quando a família já convivia anteriormente em tensão constante, conflitos e desentendimentos, a situação se agrava. Sendo que a compreensão dos problemas e a superação não acontecem.

Aí as várias fases do luto se prolongam e a dificuldade de superação é maior. O clima de discussões e isolamento de um e de outro torna ainda mais complexas a possibilidade dos diversos membros da família em aceitar, compreender e lidar com os sentimentos.

Leia sobre o que fazer por quem está em luto e ajudar!